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História da Família Domiciano

História da Família Domiciano - Idade Contemporânea III

 

 

 

 

Antes do homem branco, o interior do Paraná era habitado por territórios pertencentes a diferentes grupos indígenas. Havia uma divisão política entre esses diversos grupos de mesma matriz cultural, organizados politicamente em cacicados (conjunto de aldeias sob a liderança de um prestigioso cacique, que dominavam certas porções de territórios bem definidos). Os grupos indígenas eram assim distribuídos:
-Norte/Noroeste/Centro-Norte: Kaingangs (tronco Jê)
-Nordeste: Tupis
-Oeste: Guaranis
-Sudeste: Tingüi
-Sul: Camés
-Litoral: Carijó e Tupiniquim (tronco Tupi)
-Centro-Sul: Botocudos (tronco Jê)
Os primeiros caminhos do Paraná foram feitos pelos índios e usados pelos bandeirantes para penetrar no território: Caminho de Peaberu, Caminho da Graciosa, Caminho de Itupava e Estrada da Mata.

Caminho do Peabiru - ligava o Paraná a Cuzco-Peru


A guerra de conquista iniciou-se nas primeiras décadas do século 16 com as expedições portuguesas e espanholas que cruzaram a região para reconhecer o interior dos seus territórios, em processo de conquista e guerra contra os indígenas, em busca de metais, escravos, e de uma rota ao Paraguai e Peru.
Em 1522 Aleixo Garcia empreendeu a primeira viagem terrestre de europeus pelo interior do sul do Brasil. Além do reconhecimento, tinha por objetivo descobrir as regiões de onde proveriam o ouro encontrado na costa de Santa Catarina. A expedição, que durou aproximadamente 3 anos, partiu do litoral de Santa Catarina, passando pelos territórios dos Guarani – hoje Paraná, Paraguai e Bolívia – até alcançar a fronteira do império Inca. No retorno Garcia foi morto pelos Guarani nas proximidades de Foz do Iguaçu, por volta de 1525.
Nesta época o Paraná era território da coroa Espanhola. Em 1554 Domingos Irala, Governador do Paraguai fez fundar Ontiveros, a uma légua do Salto das Sete Quedas. Mais tarde, a três léguas de Ontiveros, fundou a Ciudad Real del Guayrá, na confluência do Rio Piquiri. E em 1576, foi fundado à margem esquerda do rio Paraná, Vila Rica do Espirito Santo (atual Fênix-PR).
Em 1608 o Rei da Espanha criou a Província del Guairá, abrangendo os territórios indígenas a leste do rio Paraná. A partir daí, foram implantadas as Reduções Jesuíticas no Guairá.
Entre 1612 e 1630, os jesuítas comandado pelos padres João Cataldino e Simão Maseta fundaram diversas reduções nos vales dos rios Paraná, Iguaçu, Piquiri, Ivaí, Paranapanema e Tibagi:
-Nossa Senhora de Loreto (atual município de Itaguajé-PR)
-San Ignácio (atual cidade de Santo Inácio-PR, no vale do Paranapanema)
-São Francisco Xavier (possivelmente entre as cidades de Santa Cecília do Pavão-PR, Irerê-PR e Londrina-PR)
-Encarnación (próximo à atual cidade de Telêmaco Borba-PR)
-São José (possivelmente nas imediações das atuais cidades de Bela Vista do Paraíso-PR e Sertanópolis-PR)
-São Paulo (em local desconhecido, mas possivelmente no centro do Paraná próximo ao rio Ivaí)
-Siete Arcangeles (em local isolado e de difícil acesso no centro do Paraná, possivelmente à leste de Ivaiporã-PR)
-São Miguel (possivelmente nas imediações da localidade de Laranjeiras, próximo ao canyon Guartelá, na região de Castro-PR)
-Santo Antônio (margens do Ivaí-SP)
-São Tomás (rio Corumbataí, próximo a Godoy Moreira-PR)
-São Pedro (possivelmente nas imediações do distrito de Barraquinha, no município de Ivaiporã)
-Concepción (nas cabeceiras do rio Piquiri, próximo ao distrito de Paiquerê, no município de Campina do Simão-PR)
-Nossa Senhora de Copacabana (no médio Piquiri, provavelmente no vilarejo de Jesuítas, próximo de Assis Chateaubriand-PR)
-Jesus Maria (possivelmente entre os portos fluviais de Planaltina do Paraná-PR e de São Carlos do Ivaí-PR)
-Santa Maria a Maior (no rio Iguaçú)
-Natividad (pouco antes das Cataratas do Iguaçú, em áreas do Parque Nacional do Iguaçú)

Mapa da Província Espanhola del Guairá (atual Paraná) - séculos 16 e 17


Acredita-se que, em 1630, as Reduções do Guairá (ocupando, com suas estâncias, quase todo o Estado do Paraná) reuniam entre 70 e 100 mil índios. Todas foram destruídas pelas invasões dos bandeirantes paulistas no final da terceira década do século 17. A comunicação das Reduções das margens do Paranapanema com as localizadas ao sul na região dos rios Corumbatai e Ivaí podiam ser feitas subindo o rio Pirapó, até os ribeirões Maringá-Mandacaru, Morangueira ou Sarandi, e por estes chegar até o platô onde está Maringá, para descer pelos córregos Borba Gato, Cleópatra e Mascado ate o ribeirão Pingüim e por este até o rio Ivaí, em direção à cidade espanhola de Vila Rica do Espirito Santo ou às Reduções do Ivaí e Corumbataí. Uma outra rota possível seria subir o rio Pirapó até suas cabeceiras no rio Dourados, até alcançar o platô onde está Mandaguari e descer pelo rio Keller até o Ivaí. Com toda certeza essas rotas eram conhecidas e utilizadas pelos índios e delas se aproveitaram os padres jesuítas nas suas andanças e pregações nas aldeias da região.
Mas os bandeirantes paulistas também transitaram intensamente na região, e com toda certeza pelos caminhos e trilhas dos índios até 1640, quando destruíram as Reduções Jesuíticas do Guairá. Os paulistas foram responsáveis pela primeira construção militar no vale do rio Tibagi. Em 1628, Antônio Raposo Tavares e Manoel Preto, ao atacarem o Guairá, construíram um campo entrincheirado na margem esquerda do Tibagi, provavelmente no município de Ortigueira-PR nas imediações de Natingui. O padre Maceta se refere a ele como quartel de inverno dos bandeirantes “una palisada fuerte de palos, cerca de nuestras aldeas”.
Destruídas as Reduções Jesuíticas as populações indígenas se dispersam, parte foi para o Sul junto com os padres fundar os sete povos das missões no Rio Grande do Sul, outra parte voltou a reocupar seus antigos territórios. Mas a região não deixou de ser um atrativo para os paulistas tentarem aumentar seu butim. A partir de 1651 Fernão Dias Paes Leme ficou por três anos na região da Serra da Apucarana, e submeteu os caciques da nação Guaianá, ancestrais dos Kaingang, levando-os prisioneiros para São Paulo com todo o seu povo. Pedro Taques relata essa expedição: "Penetrou Fernão Dias Paes o sertão do sul até o centro da serra de Apucarana, no reino dos índios da nação Guyanãa, pelos annos de 1651; nelle existiu alguns annos, tendo estabelecido arraial com o troço das suas armas, para vencer a reducção daquelle reino, que se dividia em três differentes reis. (…) Poz-se em marcha o grande corpo daquelles reinos e todos seguiam gostosos esta transmigração debaixo do commando inteiramente do seu conquistador e amigo Fernão Dias."
Ainda em meados do século 16, com o desenvolvimento da mineração, o alemão Heliodoro Eobanos, guia de vários bandeirantes, fundou a povoação de Paranaguá. Com a chegada de muitos moradores, Paranaguá, através do requerimento do bandeirante Gabriel de Lara, foi elevada à categoria de vila através da Carta Régia de 29 de julho de 1648. Depois, e também devido à mineração surgiu outra povoação: Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, atual Curitiba, elevada a vila em 1693.

Brasão de Curitiba - Paraná


No século 18 descobriram ouro e diamantes no rio Tibagi. Com as expedições militares construíram fortificações e transitaram pelo território rumo ao Mato Grosso. A partir da segunda metade do século 18, foram explorados os campos de Guarapuava. Neste mesmo período, os grandes fazendeiros dos Campos Gerais paranaense expandiram seus domínios com a invasão dos campos do cacique Kaingang Inhoó.
Mesmo tendo sido povoada no século 17, a cidade de Curitiba somente se expandiu para além de seu atual centro histórico após a independência da Província do Paraná em relação a de São Paulo em 1853.

Brasão de Paraná - Brasil

Até meados do século 19, os locais onde encontram-se os atuais bairros curitibanos não passavam de colônias agrícolas de imigrantes, na sua grande maioria italianos, alemães, poloneses e ucranianos.

Mapa Antigo de Curitiba - Século 19:

LEGENDA:


1-Estrada da Marinha = Caminho para Paranaguá = João Gualberto
2-Rua Saldanha = Carlos Cavalcanti
3-Rua Direita = 13 de Maio
4-Rua do Louro = Rua do Nogueira = Rua da Graciosa = Barão do Serro Azul
5-Rua da Carioca = Riachuelo
6-Rua Fechada = José Bonifácio
7-Rua do Fogo = São Francisco
8-Rua do Jogo da Bola = Rua da Ladeira = Rua da Assembléia = Dr Muricy
9-Rua da Liberdade = Barão do Rio Branco
10-Rua das Flores = Rua da Imperatriz = Avenida João Pessoa = XV de Novembro
11-Rua da Carioca de Baixo = Rua do Comércio = Mal Deodoro
12-Largo da Matriz = Largo Dom Pedro II = Praça Tiradentes
13-Largo do Oceano Pacífico = Praça Osório
14-Largo Lobo de Moura = Largo Duque de Caxias = Largo Thereza Christina = Praça Santos Andrade (antigo depósito de lixo)
15-Rua do Rosário
16-Estrada do Matto Grosso = Comendador Araújo
17-Rua da Entrada = Rua Aquidaban = Emiliano Perneta
18-Largo da Entrada = Largo da Ponte do Ivo = Largo do Mercado = Praça Zacarias
19-Campo do Olho d'água dos Sapos = Campo da Cruz das Almas = Praça Rui Barbosa (antiga mata usada para caçadas)
20-Praça 7 de Setembro = Praça da Proclamação = Praça Carlos Gomes
21-Rua Garibaldi = Presidente Faria
22-Praça Faria Sobrinho = Largo do Rosário = Praça Garibaldi
23-Rua da Ordem = Mateus Leme
24-Rua Paula Gomes
25-Caminho para Campos Gerais = Vicente Machado
26-Rua Borges Macedo = Ébano Pereira
27-Rua Ratcliff = Desembargador Westfallen
28-Rua Voluntários da Pátria
29-Saldanha Marinho
30-Rua Cruz Machado
31-Travessa Loureiro = Cândido Lopes
32-Rua Ypiranga/Rua São José = Mal Floriano
33-Rua Doutor Laurindo = Duque de Caxias
34-Rua América = Trajano Reis
35-Rua Lavapé = Almirante Barroso
36-Rua Desembargador Motta
37-Rua Brigadeiro Franco
38-Rua Lamenha Lins
39-Rua Nunes Machado
40-Rua 24 de Maio
41-Rua Pinhaes = Alferes Poli
42-Rua Doutor Pedrosa
43-Rua Democracia = Visconde de Guarapuava
44-Rua 7 de Setembro
45-Rua 19 de Dezembro = Silva Jardim
46-Rua do Alecrim = Cândido Leão
47-Rua da Misericórdia = André de Barros
48-Rua do Observatório = Ermelino Leão
49-Rua Ignácio Lustosa
50-Rua Cabral
Além destas, outras ruas e praças antigas de Curitiba incluem a Rua Ivaí (atual Getúlio Vargas) e o Campo da Cruz (atual Praça Ouvidor Pardinho), locais onde em 1900 foi realizada a benção de onde seria a atual Igreja do Imaculado Coração de Maria (dos missionários Claretianos).

O antigo quartel das Forças Federalistas (1894) tornou-se o Shopping Curitiba

A foto abaixo mostra a Praça Oswaldo Cruz em 1917, defronte o antigo quartel.

Praça Oswaldo Cruz em 1917


No século 19, os governos de São Paulo e da nova Província do Paraná tiveram algumas experiências mal sucedidas na colonização do Paraná com algumas levas de imigrantes. As primeiras colônias de imigrantes estrangeiros implantadas na área do Paraná foram:
-1829 - arredores de Rio Negro-PR - alemães
-1847 - Colônia Teresa Cristina (atual Cândido de Abreu-PR) - franceses
-1852 - Colônia Superagui (atual Guaraqueçaba-PR) - suíços
-1860 - Colônia Assunguy (atual Cerro Azul-PR) - ingleses e irlandeses
-1869 - Colônia Argelina (hoje bairro do Bacacheri, em Curitiba) - argelinos
-1871 - arredores de São Mateus do Sul-PR - poloneses
No final do século 19 e na primeira metade do século 20 chegaram italianos (Curitiba e Lapa), portugueses (Londrina e Maringá), espanhóis (Jacarezinho e Santo Antônio da Platina), poloneses (Curitiba), ucranianos (Prudentópolis), holandeses (Irati, Carambeí e Castro), árabes (Paranaguá) e japoneses (Maringá e Londrina).
No século 20 a guerra de conquista continuou sob o manto da “colonização pacífica e harmoniosa”, levada adiante pelas companhias de terras que ocuparam, lotearam e venderam os antigos territórios indígenas com o aval institucional do Estado do Paraná.

Propaganda da Companhia de Terras Norte do Paraná (posteriormente CMNP)

A colonização do norte foi do leste para o oeste: Anos 20 o norte velho (Tomazina, Siqueira Campos e Jacarezinho), anos 30 e 40 o norte novo (Londrina e Maringá) e anos 50 o novíssimo norte (Cianorte).

Brasão de Maringá - Paraná

Maringá foi fundada em 1947. A família Zacaroni, ramo dos Thom de Souza chegou a Maringá na década de 40.

Centro de Maringá na Década de 50

 

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