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História da Família Domiciano

História da Família Domiciano - Idade Contemporânea I

 

 

 

 

Formação do povo mineiro:

A sociedade mineira é um complicado mosaico de grupos e raças, de novos imigrantes brancos e de segunda e terceira gerações de americanos natos, de novos escravos e de escravos nascidos em cativeiros. Atualmente, a maior parte da população mineira é descendente de colonos portugueses originários do Norte de Portugal (particulamente do Minho) e de escravos africanos, sobretudo sudaneses e bantos, vindos sobretudo durante a época da mineração, no século XVIII. A contribuição de mamelucos e indígenas também foi fundamental.

Indígenas

Os povos indígenas contribuíram de forma significativa para a formação do povo mineiro. Antes da colonização, havia mais de cem grupos ameríndios em Minas Gerais. A grande maioria foi dizimada ao longo dos séculos pelo contato com a escravidão e doenças trazidas pelos colonos. É notório que a maior parte das expedições bandeirantes que desbravaram Minas Gerais era formada por índios e mamelucos. Atualmente os povo indígenas residentes em Minas Gerais são os Xacriabá, Maxakali, Krenak, Pataxó, Caxixó, Aranã, Mukurim, Pankararu e Xukuru-Kariri.

Paulistas

A região das Minas Gerais foi desbravada pelos bandeirantes paulistas no século XVII. As entradas eram iniciativas que visavam a procura de novas fontes de riqueza, em razão da grande pobreza que era a capitania de São Vicente. As bandeiras começaram ainda no século XVI, época em que as principais vítimas eram os indígenas, que eram laçados e obrigados a trabalhar como escravos. Em meados do século XVII, o número de indígenas já estava muito reduzido, então os paulistas partiram em buscar de novas riquezas, encontrando pedras preciosas na região das Minas. Os bandeirantes tiveram o monopólio das minas de ouro até o início do século XVIII, quando eclodiu a Guerra dos Emboabas e acabaram por perdê-la. Vindos em grandes expedições, os paulistas fundaram vários povoados que existem até hoje, tal como Sabará, Mariana e Ouro Preto.

Portugueses

Os descendentes de portugueses formam grande parte da população mineira. Os primeiros portugueses chegaram à região das Minas Gerais ainda no século XVII, porém só chegariam em grande número no século XVIII. Com o fim da Guerra dos Emboabas, os portugueses passaram a monopolizar as minas de ouro, o que atraiu pessoas de todos os cantos da colônia e principalmente de Portugal. As notícias sobre as riquezas encontradas no Brasil se alastraram por Portugal, trazendo um enorme contingente de lusitanos para a região das Minas. A região do Minho, situada ao Norte de Portugal, estava sofrendo uma crise de superpopulação e desemprego. Isso contribuiu para que a maior parte dos portugueses que chegaram em Minas Gerais fossem minhotos. Apesar de pouco estudada, a imigração de minhotos para as Minas Gerais no século XVIII foi um dos maiores fenômenos migratórios da História. Além do Minho, vieram colonos da Beira Alta, Alto Trás-os-Montes, dos Açores, etc. No século XVIII, havia portugueses de diversos segmentos em Minas Gerais: desde os ricos mineradores escravagistas, passando por comerciantes e chegando em mendigos miseráveis. O processo de miscigenação em Minas Gerais foi intenso: os portugueses mais pobres rapidamente se misturavam com mulheres negras e mestiças. Os homens de famílias mais ricas se casavam com mulheres portuguesas ou com brasileiras brancas de origem portuguesa. Todavia, havia um crescente número de mulatos, filhos de pai português e mãe africana.

Africanos

Os descendentes de africanos são muitos no estado. A escravidão africana em Minas Gerais acompanhou o processo da mineração e a sua decadência. No início do ciclo do ouro, tentou-se usar da mão-de-obra livre, mas o trabalho árduo passou a afastar as pessoas e, então, o escravo africano passou a ser largamente trazido para a região. Os negros mineiros vieram sobretudo da Costa da Mina e Golfo da Guiné (importados da Bahia) ou diretamente de Angola, sobretudo durante o século XVIII, pertencentes a diversas etnias. Um escravo tinha média de vida de sete anos trabalhando na mineração, o que obrigava os colonos a trazer cada vez mais africanos, que passaram a compor a maioria da população mineira no século XVIII. Por ser uma sociedade urbana, nas Minas Gerais colonial, ao contrário do Nordeste, os escravos possuíam mais chances de mudança de status social. Muitos escravos (chamados escravo de ganho) faziam trabalho remunerado, como de sapateiro, alfaiate, etc, e assim, conseguiam dinheiro para comprar sua carta de alforria. Além disso, também havia o contrabando de ouro e diamante, o que podia proporcionar ao escravo uma maior ascensão social, embora fossem casos raros. A miscigenação também contribuiu para uma maior ascensão social dos descendentes de escravos. Muitos mulatos eram educados e trabalhavam com remuneração. A escravidão africana em Minas Gerais entrou em decadência junto com a mineração, no final do século XVIII, todavia, voltou a crescer com o desenvolvimento da agricultura e pecuária, no século XIX. Em 1870, mesmo depois do fim do tráfico de escravos, ainda havia 300 mil escravos em Minas.

História dos Domiciano da Família Thom de Souza em Minas Gerais:

A partir do final do século 17, muitas pessoas (paulistas, baianos, minhotas portugueses...) se mudaram para a região de Minas Gerais quando descobriram que lá havia ouro e pedras preciosas. Todos queriam ficar ricos. Todos queriam encontrar riquezas, mas ninguém queria plantar! Sem plantações, o que o homem iria comer? Não havia estradas e nem transporte público naquela época. A dificuldade de chegar a região de Minas Gerais afetava muito o abastecimento de mantimentos. Tudo era difícil! Assim, surgiu a necessidade dos tropeiros, comitivas de boiadeiros que levavam alimentos e produtos para a região das minas ao lombo de mulas. Os tropeiros vendiam utensílios, alimentos (feijão, sal, açúcar, farinha de milho e de mandioca, cereais, carne de sol), tecidos, roupas, calçados, produtos de luxo importados da Europa, objetos para animais (selas, berrantes, estribos) e também suas mulas e bois. Os mineiros compravam as mulas para carregar o ouro e as pedras preciosas até os centros comerciais perto do litoral. Os bois serviam para a alimentação dos mineiros. Os tropeiros levavam também as notícias das cidades brasileiras e de Portugal, cartas e recados de um lugar ao outro.

Os tropeiros partiam do Rio Grande do Sul trazendo o gado e do Rio de Janeiro trazendo utensílios e se encontravam na Feira de Sorocaba, para comprar e vender produtos, e seguir para Minas Gerais. As pessoas também se divertiam nas feiras. Havia circo, teatro, música e dança! Os tropeiros comercializavam bois, cavalos e mulas nas feiras. Em suas viagens, desbravavam matas e florestas, abriam e percorriam estradas estreitas e cheias de galhos, ultrapassavam grandes rios com fortes correntezas, enfrentavam índicos, encaravam barrancos com pedras escorregadias, entre outras dificuldades. A necessidade de descansar periodicamente para se recuperarem antes de seguir viagem, fez surgir naturalmente pousos pelo caminho. Os pousos dispunham de cabanas simples, erguidas de seis em seis léguas, com telhado de palha sustentado por pedaços de madeira enterrados no chão. Nos pousos havia também um pasto para as mulas. Estes pousos mais tarde acabavam por construir uma capela, alguns prosperavam, construiam uma igreja maior, e se converteram em muitas das atuais cidades brasileiras.

Em Minas Gerais, os pousos eram na região dos índiso Kayapós. Alguns dos principais pousos acabaram por gerar as atuais cidades de São João Del Rei, Aiuruoca, Baependi, Carmo de Minas, Lambari, São Gonçalo do Sapucaí, Três Corações, Varginha, Eloi Mendes, Carmo do Rio Claro, Guapé, Passos, São Sebastião do Paraíso e Cássia. Partindo de algum lugar na região entre São João Del Rei e Varginha, um boiadeiro descendente de portugueses chamado Francisco Antonio Domiciano, chegou na região de Passos, onde conheceu Francellina Maria de Jesus (provavelmente oriunda de Carmo do Rio Claro). Decidiu então que não seguiria com sua comitiva e passou a morar nesta região, mais precisamente em Santa Rita de Cássia (atual Cássia). Deve ter se empregado como peão em alguma fazenda da região e um de seus descendentes, Pedro Domiciano ali nasceu.

Pedro Domiciano nasceu em Santa Rita de Cássia (atual Cássia-SP) no dia 08/09/1874. Além de Pedro Domiciano, o casal ainda teve outros filhos, entre eles: José, Antonio, José Alves, Chico e Maria Cuiabana (esta última casou-se com João Cuiabano, um fazendeiro de Aparecida do Salto). Segundo relatos de um de seus netos, Francisco Domiciano teria morrido assassinado em uma briga por causa de 5 sacos de arroz em Minas Gerais ou entre Franca e Pedregulho-SP.

O bravo e mulherengo Pedro Domiciano tornou-se um respeitado “coronel" da região de Buritizal-SP ao se casar com Marianna Cândida Conceição, herdeira de uma fazenda com 400 alqueires (provavelmente chamada Fazenda Buritizal). Porém, como Marianna era estéril, ficou acordado que ele teria seus descendentes com uma colona da fazenda, chamada Jerônima Ricardina de Jesus.

 

Pedro Domiciano: fisicamente foi descrito como sendo um homem alto e magro

 

Filha de Manuel Simplício da Paixão e Rita Maria de Jesus (negra trazida à força de Nazareth das Farinhas-Bahia), Jerônima nasceu em Santa Rita de Cássia e foi descrita pelo seu filho com sendo uma morena de cabelos curtos e bem enrolados.

Os filhos de Pedro Domiciano com a colona Jerônima Ricardina de Jesus (ou Jerônima Maria de Jesus, como consta em alguns documentos) foram: Antonio (amarrava bois), Zacarias (violeiro e sabia ler), os gêmeos Joaquim e Jovino (18/08/1907), as gêmeas Francelina (sabia ler, casou com o italiano Angelo Gobi) e Rita (casou com o italiano Vittorio Delefrati) nascidas a 18/02/1906, Jerônima (29/06/1912), Donido, Domiciano Alves, José, Ana e Patrocínio (12/06/1915). Em Ituverava, alguns destes Domicianos eram conhecidos como "os bagunceiros", devido a fama de valentões na cidade.

Antes de morrer, Pedro ainda venderia a fazenda para um turco (comprando 25 casas e 3 chácaras com este dinheiro) e se casaria outras vezes. Entre suas outras mulheres, destaca-se Maria das Dores de Assis, com quem se casou em 22/10/1936.

 

Maria das Dores de Assis - última esposa de Pedro Domiciano: as filhas deste casal foram morar em São Paulo-SP

 

Em 22/03/1959 na Pedra Branca (Ituverava-SP), aos 84 anos de idade, Pedro Domiciano morre de velhice (caquexia senil conforme consta no óbito).

Jerônima Ricardina de Jesus morreu em Ituverava de arteriosclerose generalizada em 12/02/1958 aos 85 anos.

Embora a maioria dos Domicianos de São João Del Rei e Passos usem Domiciano como nome, é possível que alguns destes possuam algum grau de parentesco com os Domiciano da Família Clemente de Souza. Embora isto ainda não possa ser provado, é até muito provável que isto seja verdade, tendo em vista que naquele tempo era comum o uso patronímico de um nome como sobrenome. No caso, algum homem chamado Domiciano poderia ter passado para seu filho Francisco, por exemplo, o nome “Domiciano" como sobrenome.

Como os relatos genéticos indicam que os Domiciano da família Thom de Souza vieram de Portugal, os primeiros ancestrais devem ter sido mamelucos de índios Kayapós. Os Kayapós, também chamados de Caiapós, é um povo de língua da família Jê. Hoje existem menos de 6.000 indivíduos, divididos entre o Mato Grosso e o Pará. A forma tradicional da aldeia é um círculo de casas formando um pátio. No centro, fica uma casa que só é utilizada para a reunião dos homens.

Curiosidades sobre os Kayapós:

Distribuem-se por 14 grupos: Gorotire, Xikrin do Cateté, Xikrin do Bacajá, A'Ukre, Kararaô, Kikretum, Metuktire (Txu-karramãe), Kokraimoro, Kubenkran-kén e Mekragnotí. Há indicações de pelo menos três outros grupos ainda sem contato com a sociedade nacional. As aldeias, identificadas pelo nome do grupo a que pertencem, são grandes para os padrões da Amazônia: a dos Gorotire tem 920 pessoas, e há referências históricas de aldeias com 1500 índios. Eles mantêm pouco contato entre as tribos e possuem uma estrutura cultural e social bastante homogenia, com poucas diferenças locais.

Em maio de 2007 uma notícia incomum foi veiculada na mídia: descobriu-se, no sul do Pará, um grupo de 87 índios sem contato com os homens brancos. Estes índios, todos da etnia Kayapó, viviam em uma área de floresta fechada e fugiam quando percebiam a aproximação de não-índios (garimpeiros, madereiros e grileiros). Fizeram assim por muito tempo, porém a mata em que podiam se esconder foi acabando e estes índios decidiram procurar abrigo em uma outra aldeia kayapó, a aldeia Capoto, onde vivem índios que já mantém contato com os homens brancos há algumas décadas. O encontro entre os Kayapó da floresta e os Kayapó da aldeia Capoto deve ter sido comovente. Os da aldeia julgavam que seus parentes haviam sido mortos já há muito tempo e os receberam com alegria. Os mais velhos devem ter conversado sobre tempos antigos e os índios da aldeia devem ter falado sobre algumas coisas do mundo dos não-índios.

 

O surgimento de São João Del Rei

 

A capitania de Minas Gerais do século XVIII e início do século XIX era dividida em cinco comarcas que definiam o atual território do Estado. Eram elas: Comarca do Rio das Mortes com sede em São João Del Rei, Comarca do Rio das Velhas com sede em Sabará, Comarca de Vila Rica com sede em Ouro Preto, Comarca de Paracatu com sede em Vila do Príncipe e finalmente Comarca do Serro Frio com sede no Serro.

A região de São João Del Rei começa a ser habitada mesmo antes da descoberta do ouro. Em 1701, o taubateano Tomé Portes Del Rei, proprietário de uma fazenda às margens do Rio das Mortes (ponto estratégico de acesso às minas de Caeté, Sabará e Ouro Preto por parte daqueles que vianham de Taubaté ou Parati) criou e obteve o direito de passagem pelo rio, com o nome de Porto Real da Passagem. Toma o nome de Ponta do Morro. Com o aparecimento do ouro logo em seguida (1702), o local passou a ser procurado por enorme quantidade de forasteiros. Em dois anos tomava o nome de Arraial Novo. Recém-empossado no governo da capitania de São Paulo e Minas, de passagem pelo Rio das Mortes, Dom Braz Baltazar da Silveira resolveu elevar o Arraial Novo à categoria de Vila, a quarta de Minas, por ato de 8 de dezembro de 1713, com o nome de São João Del Rei. Homenageia nesse nome o rei D. João V e o pioneiro da região. Quatro meses depois a vila era elevada à condição de cabeça de comarca do Rio das Mortes.

Do início das explorações das jazidas de ouro até o século XIX a região cresceu desordenadamente formando núcleos populacionais próximos. Mesmo assim, durante 71 anos a Comarca do Rio das Mortes só teve dois municípios: São João Del Rei e Tiradentes. Em 1789 Campanha se emancipa de São João Del Rei. A comarca era enorme: a partir de Simão Pereira fazia divisa com o Rio de Janeiro e São Paulo, seguia no Sudoeste Mineiro pela Serra da Canastra, divisa com Goiás (hoje Triângulo Mineiro) até Dores do Indaiá na divisa com a Comarca do Rio das Velhas. Daí seguia em direção Leste até Mateus Leme. Desse ponto, em direção Norte margem esquerda do Rio Paraopeba e depois a margem direita do Rio Pomba fazendo divisa com a Comarca de Ouro Preto. De Cataguases a Simão Pereira, pela divisa do Rio de Janeiro fechava o território da Comarca do Rio das Mortes.

O município de São João Del Rei atingiu as regiões do Sul de Minas, e Zona da Mata Mineira, tendo pertencido a ele as seguintes localidades: Campanha, Conceição da Barra, Carrancas, Santo Antonio do Rio das Mortes, São Miguel do Cajuru, Ritápolis, Madre de Deus de Minas, Rio Grande, Bom Sucesso, Itutinga, Dores de Campo, São Sebastião da Vitória, Ibertioga, São Tomé das Letras, Campo Belo, Lavras, Três Pontas, Boa Esperança, Juiz de Fora, Rio Preto, Simão Pereira.

Em 1838, São João Del Rei foi promovida a comarca, e a ela pertencia as seguintes as Freguesias e Distritos:

01 - Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei
02 - Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Barra
03 - Freguesia de Santa Rita do Rio Abaixo
04 - Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Carrancas
05 - Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré
06 - Freguesia de São Gonçalo da Ibituruna
07 - Freguesia de São Miguel do Cajuru
08 - Freguesia de Nossa Senhora da Madre de Deus do Rio Grande
09 - Distrito de São Gonçalo do Brumado
10 - Distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes
11 - Distrito de Ponte Nova
12 - Distrito de São Francisco do Onça
13 - Distrito de Nossa Senhora da Serra da Piedade
14 - Freguesia de Santo Antônio de São José del Rei
15 - Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Prados
16 - Freguesia de Santo Antônio da Lagoa Dourada
17 - Freguesia de Santana da Ressaca
18 - Freguesia de Nossa Senhora da Penha de França da Laje

 

Brasão de São João Del Rei – Minas Gerais

 

Os “Domiciano" em São João Del Rei

Em 1821, motivados pela cobiça do ouro, chegaram o Tenente-Coronel Domiciano José de Souza e sua família e o Tenente Vigilato José de Souza e sua família, ambos nascidos em Ibituruna – MG, município de São João Del Rey (atual município de Ibituruna).

Reunindo escravos, tratou logo da exploração das terras e de seu desbravamento. Homem instruído, dotado de singular inteligência, Domiciano José de Souza, distinguiu-se na política da então freguesia de Caconde, onde foi, por diversas vezes, eleito juiz municipal, tendo sido agraciado, merecidamente, pelo presidente da província com a patente de Capitão das Ordenanças do Termo da Vila de Mogi-Mirim, da freguesia de Caconde.

Vislumbrando, Domiciano, o futuro promissor da cultura cafeeira, junto com Vigilato José de Souza, embrenhou-se pelo sertão e, encontrando terras férteis na área, que hoje é o município de Tapiratiba, fundando duas fazendas: Soledade e Bica da Pedra (atualmente conhecida como Itaiquara).

Após sua morte, e, também a de Vigilato, a primeira fazenda ficou de posse do genro de Domiciano, Thomaz José Dias, a segunda ficou para o capitão Indalécio de Souza Dias.

Além do Tenente-Coronel Domiciano José de Souza, diversos outros Domicianos existiram em São João Del Rei, provavelmente a parte “Domiciano" da Família Clemente de Souza descende de algum deles. Os outros Domicianos encontrados em São João Del Rei são:

- Domiciano Antonio de Souza MONTEIRO (1831)
- Domiciano Antonio de SOUZA (1834)
- Domiciano Antonio de CARVALHO (1876)
- Domiciano Cardoso da COSTA (1901)
- Domiciano Celestino RIBEIRO (1867) -
- Domiciano Celestino Ribeiro (????-1867) - casado com Leonor Guilhermina de Carvalho. Morava com a família na Fazenda Palmital, distrito dos Remédios, Termo de Barbacena. Quando morreu seus filhos eram: Antonio (33 anos), João (32 anos), Jose (31 anos), Maria (casada com Joaquim Ribeiro de Carvalho), Anna (22 anos), Joaquim Domiciano (23 anos)
Gertrudes (18 anos), Serafim (16 anos), Antonia (12 anos) e Manoel (10 anos). Possuia 20 alqueires de terras de cultura na Serra no valor de 800$000 e uma casa coberta de telha, moinho e um pequeno engenho e paiol, estes cobertos de capim, por estar situado em terras de seu sogro Capitão Antonio Carvalho Duarte, no valor de 150$000.
- Domiciano José FERREIRA (????-1830) - casado com Maria Silvéria de Jesus. Morava com a família na aplicação de Nossa Senhora da Piedade, na Fazenda das Barreiras, Termo de São João del Rei. Quando morreu seus filhos eram: Silvestre (11 anos), Manoel (9 anos), Bernarda (6 anos), Luiz (4 anos), Francisca (3 anos) e Inácia (1 ano). Possuia 4 escravos, uma pequena porção de campos com uma pequena restinga de Capoeira em Nossa Senhora da Piedade, uma morada de casas de vivenda velha e coberta de capim, com cinco portas e três janelas inferiores e um pequeno paiol coberto de telha e quintal cercado de madeira avaliado tudo em 20$000 (vinte mil réis), duas partes de terras de cultura e campos e criar avaliadas ambas as ditas partes na quantia de 113$664 (cento e treze mil, seiscentos e sessenta e quatro réis) e meia quarta de planta de milho em terras de cultura na capoeira do Baú comprada ao falecido Manoel Francisco da Silva, avaliada em 2$000 (dois mil réis).
- Domiciano José RODRIGUES (1861)
- Domiciano Justino da SILVA (1911)
- Domiciano Leite RIBEIRO (1812-1884) - poeta, jurista e escritor. Sanjoanense muito ilustre foi deputado à Assembléia Provincial de Minas Gerais, deputado à Assembléia Legislativa do Império, presidente das Províncias de Minas Gerais e de São Paulo e presidente da Câmara Municipal de São João Del Rei.
- Domiciano Martins FERREIRA (1835)
- Domiciano Moreira da SILVA (1871)
- Domiciano Pinto de RESENDE (1918)
- Domiciano Ribeiro da COSTA (1852)
- Domiciano Ribeiro da SILVA (1883)
- Domiciano Rodrigues dos SANTOS (1926)
- Domiciano de Souza GUIMARÃES (capitão 1807)
- José Domiciano RIBEIRO (1883)
- Severino Domiciano dos REIS (1869)

 

A mudança para a região de Passos e Cássia

 

Em meados do século XVIII, a descoberta de ouro em Jacuí e faiscagens nas suas redondezas motivou uma acirrada "questão de divisa" entre São Paulo e Minas Gerais.
Como meio de assegurar a posse, incentivaram a fixação de casais na região. Os paulistas vieram da região de Mogi, os de Minas de São João Del Rey e Lavras do Funil. Muitos outros vieram diretamente das ilhas portuguesas.
Na região de Cássia chegou a ser formado um importante quilombo conhecido como Quilombo das Goiaveyras (grafia antiga para Goiabeiras) com 90 fogos.

Mapa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo mostrando a localização aproximada do Quilombo das Goiaveyras

Por volta de 1780, tendo morrido o pai, o jovem Padre José de Freitas e Silva fixou em Jacuí e implantou a Fazenda Bonsucesso, ao pé do morro de São Francisco, onde instalou a mãe viúva e outros familiares. Dona Faustina Maria das Neves, daí para frente, dirigiu os destinos da fazenda, de cuja colônia, junto às faisqueiras do Bonsucesso, se originou a cidade de Passos, meio paulista meio mineira.
À primeira e diminuta capelinha de Santo Antônio (edificada pelos paulistas) seguiu-se outra, na atual praça da Matriz, maior e em condições de ser curada, com a invocação do Senhor dos Passos (edificada pelos mineiros). Prevaleceu a segunda, sendo modificado o traçado urbano anterior.
A capela do Senhor dos Passos, iniciada em 1829 por iniciativa de Domingos Barbosa Passos, tornou-se o centro do arraial (1835), da Paróquia (1840), da vila (1848) e da cidade (1858).

A Relação dos Habitantes do Distrito da Capella do Senhor dos Passos, da Freguesia de São Sebastião da Ventania, Termo da Villa de São Carlos de Jacuhy, datado de 17 de janeiro de 1832, assinado por Joaquim da Silva Borges ( Juiz de Paz Suplente) é o primeiro "censo" feito no local e mostra uma relação com nomes, cor, condição de liberto, idade, estado civil e ocupação, de 1792 habitantes sendo 1183 livres e 609 escravos, vivendo em 254 fogos , divididos em 10 quarteirões.

Por volta de 1840, a pecuária passa a substituir lentamente as atividades de subsistência até então praticadas e as produções de derivados de açúcar dos primeiros engenhos caseiros. A excelente fertilidade dos pastos formados com "capim gordura" favorece o aumento de escala de engorda de gado pelo sistema de "invernada".

Em 1840 ocorre a criação do distrito de São Sebastião da Ventania. A "Revolução de 1842", fracassada tentativa de criação de uma Província Independente (em geral chamada de Minas do Sul), foi um dos fatores que motivaram uma nova corrente migratória de famílias em direção a Passos, vinda de São João del Rei, Lavras do Funil e adjacências. Outro fator para esta corrente migratória para Passos, era a atração que a fertilidade das terras ribeirinhas do Rio Grande exercia, conforme indica Joaquim Gomes de Souza Lemos em seu "Histórico", publicado em 1920 no lbum de Passos, de Elpídio Lemos de Vasconcelos .
Dentre estas famílias, destacam-se as de José Caetano Machado, a de Urias Antonio da Silveira e a do futuro Barão de Passos, Jerônimo Pereira de Melo e Souza. Além de, provalvelmente, a família de Francisco Domiciano.

Em 1876 Passos se tornou comarca e, a ela pertencia as seguintes freguesias e distritos:

01 - Freguesia de Senhor Bom Jesus dos Passos
02 - Freguesia de São Sebastião da Ventania
03 - Freguesia de Santa Rita de Cássia
04 - Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Aterrado
05 - Freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Rio Claro
06 - Freguesia de Santa Rita do Rio Claro
07 - Distrito de São João do Barranco Alto
08 - Distrito do Bom Jesus da Penha
09 - Distrito de São Pedro da União

Em 1878 , José Joaquim da Silva descreve Passos em seu 'Tratado de geographia descriptiva especial da Provincia de Minas-Geraes. Rio de Janeiro, E. & H. Laemmert ': "A cidade de Passos está situada em uma vasta campina de pouca elevação, á distancia de uma legua é rodeada de ricos mattos, que contem grande quantidade de madeiras de lei; é banhada pelo Rio Grande. A cidade conta perto de 700 casas habitadas, algumas delas de muito boa construção. É cortada por 33 ruas não calçadas, e 6 largos, que são o da Matriz, e o do Rosario, onde está a Cadêa, e outros. Alem da Matriz, que é pequena, e mal construida e tambem mal collocada, tem mais as igrejas do Rosario, Santo Antonio, S.Miguel e a da Penha. A população do municipio de Passos orça por 21 mil almas,sendo que a da cidade e sua freguezia é de 4,561 almas. Dista da capital da provincia 78 leguas, da côrte 100, da Campanha 39 e da Estação da Boavista 60 leguas. Possue um commando superior de guardas nacionaes; e seu collegio eleitoral consta de 44 eleitores. O povo do municipio e da cidade é pacifico, morigerado, religioso, hospitaleiro e dedicado ás lettras. A musica é alli apreciada e uma boa orchestra bem importante presta-se para as necessidades do lugar. Ha na cidade um theatro bem decorado.Além das aulas publicas de primeiras lettras para ambos os sexos, ha alli uma aula publica de latim e francez.Possue um bom Hospital fundado pelo finado fazendeiro Jeronymo Pereira de Mello e Souza, onde é tratada a pobreza desvalida. Ha alli um vasto e bem acabado cemiterio publico feito ás expensas do povo, e devido aos esforços dos capuchinhos frei Eugenio e frei Francisco. O municipio é banhado pelos rios São João, Bocaina, São Francisco, Santanna do Bomsuccesso e pelo Rio Grande, que já passa muito volumoso por ter engrossado com a juncção do Sapucahy. A cultura do municipio vai prosperando, e a criação tambem.Seu commercio é bastante animado e importante. Exporta annualmente para mais de 30 mil cabeças de gado, mais de 8 mil porcos gordos,mais de 2 mil carneiros e para mais de 8 mil varas de panno de algodão; importa fazendas, molhados, louça e ferragens no valor de mais de 200 contos por anno.O numero dos escravos do municipio matriculados na collectoria foi de 4,065 e o fundo de emancipação distribuido para este municipio foi de 8:095$625. O numero de ingenuos matriculados em duas freguesias, a saber, a dos Passos e a de Santa Rita do Rio Claro, foi segundo informarão os respectivos parochos, de 481, dos quaes fallecerão 88. Dista da Campanha 39 legoas.O municipio de Passos divide por um lado com o Rio Grande e pelos outros lados com os municipios de São Sebastião do Paraizo, Cabo Verde e Carmo do Rio Claro; compõe-se das freguezias e districtos seguintes: 1.a Freguezia do Senhor Bom Jesus dos Passos. 2.a Freguezia de São Sebastião da Ventania. 3.a. Freguezia de Santa Rita de Cassia. 4.a Freguezia de Dôres do Atterrado."

Atualmente, com uma área de 1341,74 km2, Passos possui uma população estimada em 110.000 habitantes. Sua economia baseia-se principalmente no agro-negócio, em pequenas indústrias de confecções e móveis, além de um forte setor de serviços, por ser um polo regional. Já a cidade de Cássia possui aproximadamente 20.000 habitantes.

 

Brasão de Passos – Minas Gerais

 

Brasão de Cássia – Minas Gerais

 

Os “Domiciano" em Passos e Cássia

 

Diversos Domiciano também viveram na região de Passos e Cássia. Existe o registro de um fazendeiro chamado Domiciano Camillo da Silveira. Ele era dono de terras em Passos em meados do Século XIX, segundo o Registro de Terras na Vila de Senhor Bom Jesus dos Passos - Comarca do Sapucai, datado de 1854.

Um outro Domiciano é encontrado também nesta região. Domiciano Custódio dos Santos, fazendeiro de Passos em 1897 – extraído do Almanack do Municipio de Passos do mesmo ano.

 

O ramo Domiciano da Família Clemente de Souza

 

Em vermelho, a região povoada pela família Domiciano no Século XIX

 

 

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